Sábado, 31 de Outubro de 2009

Ponto final. Parágrafo?

Engraçado como o facto de que passei a lidar melhor comigo mesmo e com a minha vida me fez abandonar este meu fiel companheiro. Continuo sem linhas, mas o caderno já é o dia-a-dia. de algum modo, cumpriu-se aquilo que pretendia com este espaço. Ao fim de tanto tempo de existência.


Quer isto dizer que este espaço se torna obsoleto? Não. De modo algum. Estas são apenas páginas passadas da vida, que fazem parte do meu trajecto enquanto existente. Devem continuar a existir, enquanto este serviço online não ficar deprecado.

Nunca mais vou voltar a fazer posts aqui? "Nunca" é uma palavra que não se aplica ao ser humano. Talvez se trate do erro mais importante que limei, aquando desta minha nova fase da vida: aboli os "nuncas" e os "sempres". Não fazem sentido e passei grande parte da minha vida a lutar contra mim mesmo para que fizessem. De qualquer forma, dificilmente tornarei a escrever neste meu velho caderno, mas vou, com certeza, mantê-lo aberto.

Obrigado aos muito poucos (curiosamente, na sua maioria mulheres, que um dia já pertenceram ao cerne da minha vivência) que de vez em quando passavam por aqui e, mesmo que não se manifestando, liam do principio ao fim estes meus parágrafos desalinhados e baços.

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Ella Fitzgerald - Some of These Days

Tendo acabado de reler A Náusea, de Jean-Paul Sartre, a ausência de palavras leva-me exclusivamente a postar este video.

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Sem título

2:25

Cada tecla do piano de Chopin toca-me no fundo da alma. Centenas de notas que descem pelos recantos do meu vazio, acabando, perdidas, por não retornar. A minha razão de ser constrói-se ao longo da pauta, por um conjunto de notas que, morrendo no momento em que o ouvido as deixa de ouvir, constroem toda uma harmoniosa e agradável música.
A cada tecla do piano de Chopin, sinto a tua a falta. A cada tecla do piano de Chopin, és o esticar da corda e a percussão do martelo, que, afinado, produz um som indistinguível e precioso.
E no final da música, não sei onde estás. Mas sei que és.

Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

Domingo, nada

Estou farto que o céu seja azul. Podia ser de tantas outras cores. Porquê azul?
É costume que o domingo seja o dia da semana em que o bom se torna no mau e o mau no péssimo. Este, por sinal, não fugiu à regra. É aquele dia onde ninguém faz nada, porque sim. Gera-se toda uma atmosfera de tédio e fare niente que contagia todas as almas penadas. Eu resolvi ir fazer nada para nenhures também, na tentativa de fazer algo algures noutro sítio que não este. Não podia permanecer entregue a mim próprio, quando na noite anterior a minha imaginação me voltou a trair de forma vil e implacável.
Toda a baixa lisboeta se vestia de inactividade. Todos os transeuntes com quem me cruzei desfrutavam da tal atmosfera de domingo. Passadas vagarosas e quase que automatizadas. Conversas vagas, das quais, sem querer, apanhava algumas pontas e conectava ao acaso. Histórias mirabolantes que me passavam pela cabeça a um ritmo tão extremo que as perdia por completo quando estas encontravam os seus termini. Faltava-me claramente aquela presença feminina que costuma ser mais que suficiente para não me deixar enlear nos meus próprios pensamentos.
Ao entrar em modo de bocejo compulsivo, dei por terminada a minha excursão à tarde de domingo dos outros. Não fosse o tempo estar agradável e teria sido um dia perdido. De qualquer forma o seria, mas o receio aperta mais aquando da exposição ao diferente. O único problema de estar bom tempo é o céu estar azul, como sempre. Isso enoja-me. Mais de vinte anos a ser sujeito ao imutável. Não que seja especialmente feio, mas os olhos já vão começando a pedir mudança.
Afinal, onde ficaram mesmo aqueles olhos castanhos-escuros que, mesmo a uma curta distância do solo, reflectiam o tudo? Onde ficou aquela pele morena e delicada que, por si só, bastava para me fazer esquecer que o céu era azul e que o domingo é o culminar do tédio? Perderam-se por entre bocejos, domingos e a refracção do azul por parte da atmosfera.
Tenho saudades tuas.